Só por uma noite

A noite estava agradável então sai de bike, queria sentir a brisa no rosto. Brisa que quase me convencia estar em uma noite de primavera em pleno inverno. A noite parecia ser uma outra noite qualquer, mas embora eu nem desconfiasse estava completamente enganado. 

Apos alguns minutos pedalando sem rumo parei em um parque, e pra meu espanto apesar do avançar da hora ainda havia muita gente caminhando por ali, parece que não só eu havia pensado em aproveitar o clima bom desta noite. Olhei pro lado e quando me dei conta a avistei, caminhando e com olhares perdidos ao redor, como se sua mente estivesse bem longe. Linda, cabelos soltos parecia não ter nada que a afligisse em mente, de longe transmitia leveza.


Ela olhou pra frente e me avistou sentado no banco do parque, garrafa de água na mão e a bike do lado tentei disfarçar que a olhava, mas ela sorriu e veio em minha direção, sem receio ou timidez alguma, como se já me conhecesse e esperasse me ver ali.
- A noite esta especialmente linda hoje, ela diz. E eu respondo dizendo. 
- Perfeita para casais, para romances de filmes e contos. Ela sorri como se não acreditasse em uma palavra se quer que eu disse.

- Tens essa visão"poética" pra tudo? Ela pergunta meio sem jeito. Não respondo, só sorrio. O fato é que a vida nada mais é que uma poesia dessas que falam de dores e amores de uma só vez, misturada a contos eróticos se não, que graça teria viver?! Penso eu, enquanto a fito por alguns segundos e tomo a liberdade de convida-la para caminhar comigo.

A conversa flui tão agradável que mau notamos a hora passar, quando dou por mim o parque já esta quase vazio, e uma fina neblina começa a mudar a paisagem. Paramos em uma especie de quiosque, conversamos mais um pouco e percebo sua pele arrepiando de frio. Ela me diz que precisa ir, é tarde e o tempo esfria cada vez mais.

Não sinto vontade alguma de deixar-la ir, sem timidez a abraço brincando e dizendo que a aqueço se ficar um pouco mais, para minha surpresa ela me olha nos olhos de uma forma diferente e questiona como isso seria possível se assim como ela eu não tinha casaco algum. Sentindo seu corpo se aproximar cada vez mais do meu, respondo sua pergunta beijando sua boca, com minha mão em sua nuca e a outra encaixando seu corpo em mim.

Senti o teu gosto, teu cheiro, teu calor longe de tudo, de todos, do mundo e logo já estávamos mais que aquecidos. O lugar era perfeito, embora um parque público e a chance de ser pegos, a hora, a ausência de pessoas tornava o parque só nosso. Esqueci do resto, ou melhor fiz questão de não pensar onde eu estava, deixei meu desejo, meu tesão falar mais alto que a razão e ela não recuou em nenhum momento, me dando aval pra explorar seu corpo com minhas mãos.

Pude sentir cada centímetro do teu corpo, da tua pele arrepiada a cada toque, ela usava um vestido desses de verão leve e confortável já que o inicio da noite como já citei estava agradável e não exitei em ergue-la pra cima da mesa do quiosque. A mesa era fria de concreto mas ela não se queixou, embora seu corpo estivesse fervendo ela já nem sentia o frio da noite.

Deitei ela ali mesmo sem receio algum, sem pensar em nada ao redor, estávamos sozinhos e não íamos mais esperar. Subi seu vestido, beijei sua barriga e fui descendo até sua virilha, afastei um pouco de lado sua calcinha que era tão delicada quanto seu vestido e a senti molhada em minha boca, sabia exatamente o que e como fazer. A chupei ali enquanto sentia suas mãos em meu cabelo e seu quadril se contorcer de tesão. Sentir o teu prazer me excitava completamente, a desci da mesa e a virei de costas pra mim, arcando-a um pouco, deixando-a quase de quatro sobre a mesa, abri meu zíper e me encaixei dentro dela, até o fim, beijando tua nuca, tua orelha enquanto com uma das mãos a masturbava de leve. 

Eramos como dois animais, deixando o desejo e o tesão falar mais alto sem pensar em nada nem ninguém, nos pegamos, entregamos e matamos nossa sede com a urgência e rapidez que o lugar pedia, queríamos o prazer absoluto, o gozo e tivemos ali usando a adrenalina do receio de ser pegos como tempero pra esse fogo. 


De repente ouvi som de uma moto e parecia próxima dali, pensei que poderia ser do vigilante que fazia sua ronda noturna la dentro. Então, resolvemos ir embora, a levei até a portaria do parque, ela me acarinhou o rosto se despediu e partiu, não me deu endereço, telefone, e-mail, nada que pudesse alimentar a minha gana de vê-la outra vez, como se fosse possível. E eu? Fui pedalando para meu apartamento pensando na loucura que havíamos feito, de onde ela haveria surgido, pensando se um dia nos veríamos de novo, que não poderia ser somente uma noite, embora eu soubesse que aquela noite eu jamais esqueceria.

Me deixa tentar?

Pensei em você, em mim, e em tudo que tenho pra dizer, em todas as duvidas que pairam na minha cabeça e meu peito. Resolvi abrir meu coração, dilacerar tudo que tenho preso no peito, me revelar, ficar desnudo diante de ti, de todos. Talvez era isso que faltava, mostrar minha alma, meu coração, de maneira que ninguém ainda havia visto, ser notado da forma que eu sempre tentei ser.


Não sei não amar, não sei se isso é algo bom ou ruim, mas faz com que as pessoas tenham papeis absurdamente importantes em minha vida e as vezes nem sonhem com isso. Talvez isso seja uma benção, ou quem sabe só minha maldição, as vezes me vejo no mundo vagando e destinado a amar sozinho, será? Não sei... Sei que hoje eu preciso dizer, mostrar o que vive em mim.

Te peço pra não ter medo embora pra muitos isso seja assustador, é só uma pedaço de mim, continua sendo eu. A verdade é que eu sou fraco, fraco diante de todas as possibilidades possíveis de não amar, de não ser amado, de não viver tudo que passo noites a planejar. Sim, a minha vida é sonhar, com todas as coisas mais clichês do mundo e em todas elas eu tenho você, ou a falta de você.

Desde a casa, os domingos em família, os nomes dos nossos filhos ao balanço na varanda feito para os netos. Eu planejo tudo, eu espero por tudo, espero por você. Não, não tenha medo, eu sei, nada é perfeito e contos de fadas não existem, mas eu quero chegar o mais perto possível disso, não é uma promessa. Promessas se perdem e eu não pretendo me perder em nada, nem perder você por frases politicas e ensaiadas. Eu só quero amar você, me deixa tentar?

Me dê  sua mão, me acolha em seus braços, eu só quero a tranquilidade de um abraço seu em dias difíceis, ou seu suspirar nos braços meus em dias que seu coração estiver cansado. Me receba na tua vida, me deixe fazer aquele macarrão de madrugada pra saciar nossa fome depois de te amar como nunca, ou como sempre. Me permita entrar, na sua casa, no teu jeans surrado, só me deixa ficar. Esta noite, a próxima, ir ficando até que nossas coisas estejam tão misturadas a ponto de não sabermos onde termina o meu mundo e começa o teu, me deixa tentar?

Eu sei, tudo parece tão fácil quando falamos, você esta certa, não é. Mas eu não quero que seja fácil, eu quero você do me lado pra que tenhamos força pra superar qualquer obstaculo, mau entendido, ou força contraria ao que estivermos vivendo. Quero brigar e fazer as pazes, na cozinha, chuveiro ou na cama, mesmo que me olhe com reprovação quando perceba que foi proposital. Quero a certeza de que mesmo que não estejamos por algum momento perto fisicamente eu tenho você e você a mim.

Me dê  sua mão, me acolha em seus braços, e não me deixa ir se alguma vez quem sentir medo for eu, Se alguma vez eu pensar em desistir. É que eu sou fraco diante de todas as possibilidades possíveis de fracassar. Eu só quero amar, me deixa tentar?